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Sem Rentabilidade

Após matéria da revista Época, Brasil Ecodiesel estuda fechar no Piauí

- Na foto de Ricardo Stuckert, datada de 04/08/2005, o presidente Lula participa da colheita da mamona que será utilizada na produção de Biodiesel na Unidade de Produção Comunitária Santa Clara. Ao seu lado, em pé, o governador do Piauí, Wellington Dias, e o ministro da Agricultura Miguel Rossetto

- Prejuízo da empresa, que tinha o apoio do governo estadual e federal, afeta também cerca de 600 famílias, que ficarão como nau à deriva

O fiasco chamado mamona
A empresa Brasil Ecodiesel estuda fechar temporariamente sua sede no Estado do Piauí, por conta da não rentabilidade e das inúmeras denúncias, entre elas, de desrespeito para com os trabalhadores. O mesmo pensamento na cúpula da empresa paira também sobre a unidade do Ceará. No território cearense, a Brasil Ecodiesel é acusada de poluir o rio Poti, que também banha território piauiense.

Esta semana, através da revista Época, em matéria assinada por Ricardo Mendonça, que visitou a cidade de Canto do Buriti (PI) para fazer a reportagem, o Brasil tomou conhecimento de uma promessa feita com pompas em território piauiense pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva - com a presença do governador Wellington Dias e ministeriáveis-, mas que não foi concretizada. O título do texto é "O fiasco do petróleo verde".

"Pequenos agricultores que apostaram na mamona estão na miséria. A empresa-símbolo do biodiesel quase faliu. E Lula deixou de insistir tanto no assunto", diz o subtítulo. "O assentamento Santa Clara, que também recebeu apoio do governo do Piauí, nasceu como o mais ousado projeto de plantação de mamona do país. Em 2004, o governo do Piauí cedeu uma área de 18.000 hectares para a empresa Brasil Ecodiesel fazer uma espécie de reforma agrária privada no local", diz o texto.

"A empresa distribuiu lotes de 8 hectares para 610 famílias, deu uma pequena casa para cada agricultor e assinou contratos de parceria. As famílias receberiam sementes, insumos, assistência técnica e um adiantamento mensal de R$ 250 por seis meses. Em troca, entregariam a colheita, que no final seria transformada em biodiesel. Após dez anos de trabalho nesse regime, receberiam a posse definitiva da terra", continua.

Uma outra 'Guaribas' no Piauí
A revista também denuncia que quatro anos depois da visita presidencial o "palco" é completamente outro. "A região é frequentemente apontada como palco de denúncias graves, como exploração de trabalho infantil, prostituição, desmatamento e produção ilegal de carvão. Hoje, cerca de 600 famílias continuam assentadas, mas a maior parte dos terrenos está ociosa. As plantações de mamona produziram bem abaixo do esperado", escreveu  Ricardo Mendonça.

"O certo é que a Ecodiesel estimava 1.200 quilos por hectare, mas o resultado médio nunca passou de 400 quilos por hectare. Atrasos nas plantações, má qualidade das sementes, falta de apoio técnico e pragas são as explicações mais ouvidas. Aos poucos, a cultura foi sendo abandonada", acrescenta.
 
"O que era apresentado como o pioneiro projeto econômico e de inclusão virou um grande problema social", disse à Época, Dionísio Carvalho, da Rede Ambiental do Piauí.

A ação da Brasil Ecodiesel foi lançada em 2006 a R$ 12,00. Na semana passada custava R$ 0,83. Uma queda equivalente a 93%.

Mamona é cara
"Para especialistas do mercado de biodiesel, um dos fatores que invibializam a mamona, paradoxalmente, é a qualidade de seu óleo, que tem aplicação nobre no setor químico. 'A mamona ainda é cara por três motivos: baixa produtividade, baixa produção e demanda forte para outras finalidades, como produção de cosméticos, tintas e até combustível de foguetes', diz Arnoldo Campos, coordenador do programa de biodiesel do Ministério do Desenvolvimento Agrário.

12/08/2009 - 14:49 - Da Redação do Portal AZ

http://www.portalaz.com.br/noticia/brasilia/141741_apos_materia_da_revista_epoca_brasil_ecodiesel_estuda_fechar_no_piaui.html



Escrito por H. Prado às 17:27
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Tribunal mantém suspensão a projeto na Serra Vermelha

TRF negou o mandado de segurança da JB Carbon e vetou o projeto Energia Verde.

A 5ª Turma do Tribunal Regional Federal - TRF - da 1ª Região manteve a suspensão da licença ambiental para o projeto de manejo florestal sustentável Energia Verde, da empresa JB Carbon, na Serra Vermelha, região sul do Estado. A decisão foi dada em recurso contra a decisão do juiz da 2ª Vara Federal do Distrito Federal, que considerou legal a suspensão da licença por parte do diretor de florestas do Ibama em Brasília. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (29/07) em nota da assessoria da Justiça Federal.
A relatora do processo, desembargadora federal Selene Maria de Almeida, ressaltou em seu voto que Serra Vermelha é a última floresta do semi-árido nordestino brasileiro, devendo, portanto, ser conservada e preservada a biodiversidade da região. Ela considerou acertada a decisão do Ibama em Brasília, que suspendeu a licença emitida pelo Ibama/PI por razões de inconsistências, já que este órgão concedeu a mesma sem requerer os estudos técnico/científicos complementares necessários.

Para a magistrada, não há lugar para intervenções tardias, sob pena de se permitir que a degradação ambiental chegue a um dano irreversível. "Diante do risco ou da probabilidade de dano à natureza, e não apenas na hipótese de certeza, o dano deve ser prevenido", afirmou na decisão. Outro motivo lembrado pela desembargadora é o fato de a Serra Vermelha ficar a uma distância de 50 km do núcleo de desertificação no sul do Piauí, o que contribuiria para o processo de degradação ambiental já instalado.

O projeto da JB Carbon foi aprovado pelo Ibama do Piauí em janeiro de 2005, com modificações, havendo autorização para o desmatamento inicial de 39.225,00 hectares para o plantio de grãos. À época, foi considerado o maior plano de manejo florestal sustentável e renovável de biomassa do Brasil, com previsão de manejo anual de uma área média de 5.995,98 hectares, correspondendo a 221 toneladas/ano de carvão vegetal, totalizando 77.947,73 hectares ao final de 13 anos.

O Ministério Público Federal ingressou com ação após denúncia de que o projeto estava sendo implantado em área de 114 mil hectares. Em junho de 2007 a JB Carbon impetrou mandado de segurança contra a suspensão, agora mantida.

Da Redação
redacao@cidadeverde.com


Escrito por H. Prado às 17:07
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